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Entrevistas

Entrevistas .

Nha Terra Nha Cretcheu .

By Isabel dos Santos .

Cabo Verde tem potencial para crescer

Giordano Custódio: Hoje tenho comigo a empresária angolana que está de visita a Cabo Verde, Eng.ª Isabel dos Santos. Como é que têm sido essas quase 48 horas da sua agenda?

Isabel dos Santos: Muito obrigada pelo convite. É um prazer estar aqui consigo hoje. Foram 48 horas super dinâmicas. Foi realmente uma maratona porque tivemos muitas actividades, muitas pessoas para ver, muitas coisas pra visitar… Mas estou satisfeita. Fico muito contente com o dia, os dois dias que estive cá.

Giordano Custódio: Qual é a sua percepção sobre as potencialidades do Cabo Verde de hoje?

Isabel dos Santos: Olhe, a primeira impressão que tive foi muito positiva porque quando cheguei, reparei que há mudanças boas. O aeroporto foi renovado, as estradas estão limpas, começo a ver que há uma atenção em relação aos espaços públicos. A estrada pedonal no Plateau é muito agradável para se ir à noite tomar um cafezinho e dar um passeio. Vejo que há novas coisas, há novos restaurantes, há novos hotéis. Sinto um dinamismo e fiquei surpreendida, mas pela positiva. Uma boa surpresa.

Giordano Custódio: Geralmente, quando fazemos perguntas do género com uma empreendedora, ficamos logo a pensar nos negócios.

Isabel dos Santos: Foi exactamente o que eu vi cá. O que eu notei é que os negócios estão a florir. E isso é um indicador muito importante, não é? Nós quando estamos a andar pelas ruas, principalmente os empreendedores, estamos sempre a olhar, estamos sempre a observar. O que é que está ali? O que é que está a acontecer ali? E o que eu observei foi realmente esta mudança. Estes sinais de florir, estas coisas a evoluírem…

Giordano Custódio: Quando fala, eu percebo que está fazendo alguma comparação com algum espaço. Não sei se percebi bem.

Isabel dos Santos: Não, não faço comparações. O que eu acho é que é importante reconhecer os sinais positivos nas economias. As economias são cíclicas e, realmente, muitas vezes elas são um bocadinho lentas. Porque nós, as pessoas temos necessidades todos os dias. Nós queremos acordar e queremos que os problemas estejam todos resolvidos.

Giordano Custódio: Temos pressa.

Isabel dos Santos: Temos muita pressa. E, para quem está cá, se calhar é um bocadinho difícil de reconhecer esses sinais. Como eu fiquei algum tempo sem cá vir, consigo ver realmente esta recuperação do tecido empresarial e, sobretudo, das pequenas e médias empresas porque aí é que está a diferença. É nesta pequena iniciativa, nas pessoas que começam a reconhecer que têm uma oportunidade, por exemplo de pegar um espaço que antigamente estava abandonado e que hoje transformaram num bar de música, ou que transformaram numa óptica, por exemplo. Vi várias lojas de óptica, vi pessoas que transformaram espaços em hotéis, em pensões…Então, há este empreendedorismo e isto é muito importante.

Giordano Custódio: Falemos agora um pouco dos laços Cabo Verde e Angola. No momento, por exemplo, parece que essa relação está a esbater-se um pouco. É a sensação que fica. Qual a sua percepção?

Isabel dos Santos: Eu acho que nós devemos estar mais próximos. Já estivemos mais próximos e ainda vamos estar, com certeza, ainda mais. Agora sei que haverá um voo que vai fazer esta ligação. Também, no passado, houve a questão dos vistos, não é? Houve muita discussão à volta da supressão dos vistos. Isto é muito importante porque Cabo Verde pode ser um destino para os angolanos, um destino turístico, um destino de negócios. Também, por que não termos estudantes angolanos a estudarem nas universidades cabo verdianas? E o contrário, termos estudantes cabo verdianos a estudarem nas universidades que estão em Angola. Ou, por exemplo, até fazerem estágios, profissionais, porque em Angola nós temos várias empresas multinacionais, também temos grandes empresas grandes marcas… Portanto pode ser um bom sítio para um jovem cabo verdiano, recém-formado ir e ter o seu primeiro estágio de formação profissional. E acho que estas relações podem-se estreitar cada vez mais

Giordano Custódio: E o espaço da CPLP? Eu vejo que já pressente alguma dinâmica na CPLP como um todo.

Isabel dos Santos: Eu acho que há uma grande vontade. De vez em quando é um bocadinho frustrante porque nós gostávamos que tudo fosse muito mais rápido. A CPLP, ouvimos falar, é um grande mercado, falamos todos Português… Então como é que a gente concretiza? Eu acho que tem de se continuar a fazer muito trabalho nesse sentido. A aposta tem de ser séria, tem de haver um dinamismo sério. E tem de haver também muita motivação por parte das empresas. A ligação económica vai fazer uma grande mudança. Hoje há muitos acordos que são mais políticos, há muitos acordos de boa vontade. E aqui o truque, digamos assim, a magia vai ser é conseguir com que as pessoas percebam que podem fazer comércio umas com as outras. Conseguem fazer, digamos assim, negócio umas com as outras e que vêem vantagens num país e nos outros países.

Giordano Custódio: E é uma grande ambição, uma ambição antiga que, agora que Cabo Verde está a presidir a CPLP, volte a estar em cima da mesa a livre circulação das pessoas.