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ENTREVISTA CNBC .

CNBC Interview .

By Isabel dos Santos .

Começamos a ter os nossos próprios empresários-modelo e creio que serão influenciadores

Isabel dos Santos – Acho que tivemos muitas intervenções excelentes. Uma ideia muito forte foi a questão das políticas. Poderá haver um alinhamento das políticas? A segunda questão prendeu-se com os regulamentos e garantir que as normas se adequam e se são inteligíveis e justas. Mas, a meu ver, o contributo mais importante foi a questão do sistema de pagamento. Se alguém da Nigéria paga em nairas, eu estou em Angola e tenho kwanzas, e alguém da África do Sul tem rands, como resolvemos o problema? Actualmente não temos uma plataforma de pagamento comum e isso é um grande desafio. Temos de pensar nisso. Se resolvermos esse problema, o comércio melhorará substancialmente.

CNBC – Por falar na resolução desse problema, quando crê que isso possa acontecer? Há muitos problemas com moedas e taxas de juros de políticas monetárias. Acha que será possível um alinhamento ou convergência no futuro?

Isabel dos Santos – Não creio que precisemos de uma moeda única, mas é necessário uma integração a nível dos bancos centrais. Os nossos bancos centrais têm de começar a dialogar, o que actualmente não acontece. Têm de encontrar uma solução, uma plataforma com um sistema de pagamento integrado que permita converter as divisas de um país para o outro sem passar por uma terceira moeda como o euro, o iene ou o dólar.

CNBC – A União Africana apresentou o passaporte da UA. A ideia é unir o continente africano. É mesmo esse o maior desafio entre os que afectam o comércio continental? O que acha do sistema de passaporte único? Acha que isso terá algum impacto ou há muitos mais desafios a enfrentar?

Isabel dos Santos – Para mim, pessoalmente, os vistos são sempre um problema. Sou angolana e preciso de visto para ir a qualquer ponto do mundo. É um obstáculo porque temos de tomar decisões de negócios rapidamente ou ir a um determinado país nesse dia ou no seguinte. Não podemos decidir com três semanas de antecedência. Temos de começar a pensar em ter um sistema simples, com vistos à chegada para empresários que só ficam três, quatro, sete dias. Se começarmos a reconhecer que há empreendedores africanos que precisam desse serviço, será já uma grande mudança.

CNBC – O que pensa sobre o papel dos governos dos países africanos? Que papel devia ter o sector privado na promoção dos negócios do continente? Pode dizer-se que o problema africano está na falta de uma assinatura para dar a volta a situação?

Isabel dos Santos – Já demos grandes passos. Há duas décadas não conhecíamos os rostos ou os nomes dos grandes empresários africanos. Actualmente são figuras conhecidas. Todos conhecemos empresários nigerianos, angolanos ou da Costa do Marfim. E os jovens empreendedores começam a conhecer estes nomes. Começamos a ter os nossos próprios empresários-modelo e creio que serão influenciadores. Vão influenciar o sector e vão conseguir apresentar argumentos com muito peso em defesa da melhoria das políticas e do reconhecimento por parte dos governos do papel do sector privado em África no desenvolvimento das economias.

CNBC – Resumindo quais são as suas expectativas em relação aos debates da cimeira para o dia de amanhã?

Isabel dos Santos – Toda a gente veio com a mesma ideia. Como podemos fazer mais negócios e ganhar mais dinheiro? Espero que a maioria dos participantes volte para casa com esperança de conseguir concretizar coisas no futuro e que tenha conhecido potenciais parceiros de negócio com queira construir boas relações.